Como se libertar da ansiedade paralisante

O transtorno de ansiedade pode ter um efeito seriamente prejudicial em sua vida, mas não precisa ser assim.

ANSIEDADE

Dra. Wânia Gomes

1/15/20253 min read

Como vencer a ansiedade que paralisa: por onde começar, na prática

A ansiedade faz parte da vida. Ela nos protege, nos coloca em movimento e nos ajuda a nos preparar para o que é importante.
Mas, em algumas situações, ela deixa de ser um alerta saudável e passa a paralisar: decisões simples viram grandes dilemas, o corpo vive em alerta máximo e a mente não consegue “desligar”.

Se isso tem acontecido com você, saiba: não é “frescura”, não é falta de força de vontade — e existe caminho possível de cuidado.

Abaixo, trago alguns pontos importantes que costumo trabalhar em consultório com pessoas que sofrem com a ansiedade.

1. Comece entendendo o que está acontecendo com você

Antes de tentar “eliminar” a ansiedade, é importante compreendê-la.

  • Em quais situações ela aparece com mais força?

  • Como ela se manifesta no seu corpo? (taquicardia, aperto no peito, suor, falta de ar…)

  • Que pensamentos costumam vir na sua mente nesses momentos?

Perceber esse padrão é um primeiro passo para sair do piloto automático e começar a se posicionar de forma mais consciente diante do que você sente.

2. Observe e questione seus pensamentos ansiosos

Na ansiedade, é comum que a mente crie cenários catastróficos:
“Vai dar tudo errado”, “Eu não vou dar conta”, “Todo mundo vai me julgar”.

Essa forma de pensar parece tão verdadeira que você reage a ela como se o pior já estivesse acontecendo.

Um exercício importante é perguntar a si mesmo:

  • Há evidências reais de que isso vai, de fato, acontecer?

  • Existe outra forma possível de olhar para essa situação?

  • Se fosse uma pessoa querida no seu lugar, o que você diria a ela?

Não se trata de “pensar positivo a qualquer custo”, mas de construir pensamentos mais equilibrados e menos automáticos.

3. Traga o corpo para o presente

A ansiedade vive muito no futuro: no “e se…?”.
Por isso, técnicas que ajudam a ancorar no presente podem ser valiosas:

  • Respirar profundamente, contando alguns segundos na inspiração e na expiração

  • Notar, com calma, cinco coisas que você vê, quatro que você toca, três que escuta…

  • Fazer pausas curtas ao longo do dia para perceber como o corpo está

Essas práticas não “resolvem” sozinhas a ansiedade, mas ajudam a reduzir a intensidade do momento de crise e a recuperar um pouco de clareza.

4. Cuide também da sua rotina

Sono irregular, alimentação caótica, excesso de estímulos (como notícias e redes sociais) e falta de pausas podem alimentar a ansiedade.

Pequenos ajustes, feitos de forma realista, podem ajudar:

  • Estabelecer um horário aproximado para dormir e acordar

  • Reduzir o excesso de cafeína e álcool

  • Criar momentos sem telas ao longo do dia

  • Inserir algum tipo de movimento corporal (uma caminhada, alongamentos, dança…)

Não é sobre “perfeição de rotina”, e sim sobre criar condições mínimas para que sua mente e seu corpo possam descansar.

5. Quando buscar ajuda profissional?

Se a ansiedade tem:

  • prejudicado seu sono, seu trabalho ou seus estudos,

  • afetado seus relacionamentos,

  • limitado atividades que antes eram possíveis para você,

  • ou se você sente que está difícil lidar com isso sozinho(a),

pode ser o momento de buscar apoio profissional.

Na terapia, especialmente com abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), é possível:

  • entender melhor os gatilhos da sua ansiedade,

  • identificar e trabalhar pensamentos que alimentam o medo,

  • aprender estratégias práticas para lidar com as crises e com o dia a dia.

Em alguns casos, a psicoterapia pode ser associada ao acompanhamento psiquiátrico. Essa é uma decisão cuidadosa, feita sempre caso a caso.

Ansiedade não define quem você é

Estar ansioso(a) não significa ser fraco, incapaz ou “problemático”.
É um sinal de que algo em você está pedindo atenção, cuidado e, muitas vezes, novas formas de lidar com a vida.

Se você sente que a ansiedade tem te paralisado, você não precisa enfrentar isso sozinho(a).
Buscar ajuda é um gesto de responsabilidade consigo mesmo, não de fracasso.

Se fizer sentido para você, posso te acompanhar nesse processo.