Padrões de apego evitativo-medroso

Ninguém gosta de sentir medo, mas às vezes a maneira como evitamos o medo pode resultar em problemas em nossos relacionamentos.

RELACIONAMENTOS

Dra Wânia Gomes

2/18/20253 min read

O que é o padrão de apego evitativo-medo?

A dificuldade em se relacionar não vem sempre de “falta de vontade” ou de “não ter sorte no amor”.
Muitas vezes, essa dificuldade está ligada a padrões de apego formados na infância e que continuam a influenciar a vida adulta.

Um desses padrões é o apego evitativo-medo, também conhecido como “apego desorganizado” em algumas teorias.

Como esse padrão se forma?

Esse tipo de apego costuma surgir quando, na infância, a figura de cuidado foi:

  • Inconsistente – às vezes muito disponível, outras totalmente ausente.

  • Imprevisível – oscilando entre ser acolhedora e crítica, distante ou até agressiva.

  • Quando a criança não sabia se, ao buscar apoio, seria tratada com carinho ou com rejeição.

A mensagem que pode ter sido internalizada é:

“Eu preciso de proximidade, mas é perigoso depender de alguém.”

Como o apego evitativo-medo aparece nos relacionamentos na vida adulta?

Na fase adulta, esse padrão pode se manifestar de várias maneiras, por exemplo:

  • Medo de se aproximar e medo de ficar sozinho(a) ao mesmo tempo
    A pessoa deseja um vínculo, mas, quando alguém se aproxima demais, sente vontade de se afastar.

  • Dinâmica de “empurra e puxa”
    Em um momento, busca contato e intimidade; em outro, se distancia e evita conversas difíceis.

  • Dificuldade em confiar
    Mesmo quando o outro demonstra cuidado, a pessoa fica em alerta, esperando ser ferida novamente.

  • Dificuldade para expressar emoções e necessidades
    Falar sobre o que sente pode parecer perigoso ou inútil. Assim, muitas vezes se cala, se afasta ou reage de forma defensiva.

Essas reações não representam “birra” nem “drama”: normalmente, são formas aprendidas de tentar se proteger.

Sinais de que você pode ter um padrão de apego evitativo-medo

Algumas perguntas que podem ajudar na auto-observação:

  • Você sente que quer estar perto, mas quando alguém se aproxima demais, se sente sufocado(a)?

  • Tem dificuldade de acreditar que o outro realmente gosta de você ou vai ficar por perto?

  • Em discussões, costuma se fechar, se calar ou sumir, em vez de conversar?

  • Sente um medo muito grande de ser rejeitado(a) ou abandonado(a), mesmo quando não há sinais claros disso?

Esses sinais, isoladamente, não “fecham diagnóstico”, mas podem indicar que vale a pena olhar com mais cuidado para seus padrões de vínculo.

O que você pode fazer se se identificar com esse padrão?

Notar esses comportamentos em si mesmo já é um passo importante.
A partir daí, algumas ações podem ajudar:

  • Nomear o que você sente
    Em vez de se culpar (“eu estrago tudo”), comece a observar:
    “Quando alguém se aproxima, eu sinto medo.”
    “Quando penso em depender de alguém, fico em pânico.”

  • Compreender que esse padrão tem uma história
    Ele não surgiu do nada e costuma estar ligado a experiências reais de insegurança, rejeição ou imprevisibilidade em relações anteriores.

  • Buscar relações mais seguras
    Amizades, laços familiares e relacionamentos amorosos que ofereçam respeito, previsibilidade e diálogo podem ajudar a construir uma nova experiência de vínculo.

Como a terapia pode ajudar em padrões de apego?

Na psicoterapia, especialmente em abordagens que analisam padrões de pensamento, emoção e comportamento, é possível:

  • entender como seu padrão de apego se formou;

  • reconhecer os gatilhos que ativam o medo, a fuga ou o distanciamento;

  • aprender maneiras mais saudáveis de expressar o que sente e precisa;

  • experimentar, na relação com o terapeuta, um vínculo mais seguro, com limites claros e acolhimento.

Não se trata de “apagar o passado”, mas de construir novos caminhos a partir do que aconteceu.

Conclusão: você não está condenado(a) a repetir sempre as mesmas histórias

Reconhecer um padrão de apego evitativo-medo não significa que você estará sempre preso(a) às mesmas situações e sofrimentos.
Com tempo, apoio adequado e prática, é possível:

  • se relacionar de forma mais consciente,

  • desenvolver confiança,

  • criar relações mais estáveis, saudáveis e coerentes com quem você deseja ser.

Se você sente que esse texto reflete sua experiência, talvez seja o momento de olhar para isso com mais atenção — e você não precisa trilhar esse caminho sozinho(a).